Um passo

Ontem eu estava observando meu filho de 5 anos aprendendo a ler. Ler é uma conquista grandiosa. Lembrei da época em que ele aprendeu a andar. Engatinhou um pouco. Ficou muito tempo em pé paradinho, com uma das mãozinhas apoiada em alguma cadeira.

E quando ele se soltou, saiu andando, daquele jeito encantador e desajeitado. 

Sabemos tantas coisas como adultos que esquecemos o quanto aprender essas mesmas coisas foi demorado e difícil. Pense na persistência que as crianças tem, como elas não desistem depois de cair 500 vezes ao tentar andar, e como seria estranho se elas pensassem assim: “Não quero aprender a andar…acho que isso não é para mim. Acho que não tenho capacidade para isso.”

Acredito que a gente cresce e perde essa persistência porque acabamos ficando com medo do que os outros vão achar sobre tudo isso: “Nossa! Você ainda não sabe fazer isso direto?” Ou “Quanto tempo você está tentando fazer esse negócio dar certo? Será que não é hora de deixar isso para lá?”

Existe uma passagem na Bíblia que diz que precisamos ter um coração de criança para entrarmos no Reino dos Céus. Pensando nessas coisas acho que para conquistarmos os nossos sonhos aqui na Terra também é necessário ser um pouco como criança.

Criança aprendendo não se preocupa com o que os outros estão achando. Ela vai caindo e levantando. Até que um dia dá certo.

Ela não fica pensando em sua idade, se está muito velha para aquilo ou se seu tempo já passou.

Que nós possamos nos lembrar disso todas as vezes que pensarmos em desistir de algo que a gente ama/quer muito!

Algo que faz o seu coração bater acelerado. Algo que você às vezes nem começa a fazer ou aprender com medo do resultado e das consequências.

Preferimos ficar parados e confortáveis somente carregando dentro da nossa cabeça muitos futuros possíveis atrelados a tantos Se(s)

Se ao menos eu tivesse tempo ou coragem. Se ao menos eu tivesse capacidade. Se ao menos eu tivesse como.

Trago aqui uma verdade que provavelmente você já conhece. Ficar parado não vai te levar a lugar algum. Somente quando  as coisas começam a acontecer.

E como tudo nessa vida, você precisa dar o primeiro passo.

E depois outro.

 

 

 

 

 

 

 

Alegria

Não sei o motivo pelo qual as palavras causam tanto impacto em mim, mas me lembro das muitas vezes que terminei de ler um livro e o trouxe para perto do peito em um abraço, como se quisesse fazê-lo entrar dentro do meu coração. É uma sensação maravilhosa.

Às vezes fico pensando nas maravilhas de ser uma pessoa. Temos 5 sentidos que nos possibilitam todos os dias tocar, cheirar, comer algo gostoso, ver o dia nascendo, ouvir o mundo ao nosso redor. Quantas vezes a gente se esquece de simplesmente curtir tudo aquilo que já está ao nosso alcance, valorizar o fato talvez corriqueiro de termos todos esses “super poderes”?

Somente quem é privado de algum desses “detalhes” sabe o quanto cada um é extremamente importante.

Para onde direcionamos nossa alegria?

As pequenas coisas que nos colocam um sorriso no rosto, essas sim devem ser valorizadas: o cheiro de café, uma fruta, ver o sol nascendo pela manhã, abraços apertados, beijos na testa, deitar a cabeça no travesseiro, banho no fim de um dia cansado, olhares de aconchego, conversa de amiga, ouvir uma música e sair dançando, saber que tem alguém para contar todos os dias.

Um livro.

Qual a sua alegria? Gostaria que você contasse aqui para mim o que faz você feliz, mas antes disso, conta para você! E não deixe de fazer hoje algo que encha seu coração de vida.

 

Mãe – ser – humano

Gostaria de falar um pouco sobre quando eu me tornei mãe.

Mãe.

Se você é mãe, talvez você possa se identificar.

Se você é um filho ou filha, por favor, leia mesmo assim! (Por sua mãe)

A gente costuma ter uma lista em nossa mente sobre como uma mãe deve ser, como deve se portar, e talvez até o que ela deve gostar, como sua voz deve ser, o tipo de roupa que deve vestir.

Quando meu filho nasceu eu realmente fiquei atordoada.

Foi uma experiência intensa e arrebatadora, e entre ter um ser humano para cuidar nos mínimos detalhes, privação de sono e uma grande dose de ansiedade e medos, eu perdi algo que tirou meu chão: eu perdi a mim mesma.

Eu queria ser tudo para meu filho, e criei um ideal muito alto na minha cabeça de como eu deveria ser como mãe, ao ponto de quase sair correndo do shopping quando saí sozinha com amigas para conversar pela primeira vez (depois de muitos e muitos meses que ele nasceu); estava me afogando em minha própria culpa. Não achava certo eu sair para me divertir quando deveria estar cuidando do pequeno.

Hoje, quase 6 anos depois (e muita culpa também), eu vejo o quanto é importante nos lembrarmos todo santo dia que: MÃES SÃO SERES HUMANOS! Mãe tem preguiça, e fome, e medos, e ansiedades, e desejos e sonhos. Demorou para eu entender isso; lá no começo que eu não podia dormir, comer, descansar ou ler, eu realmente acreditava que nunca mais na minha vida eu seria EU mesma.

Hoje acredito que sou uma mãe melhor, não porque sou primorosa em todos os sentidos (porque não sou, não tento mais ser, e nem quero ser), mas porque me esforço para não me perder. A gente mira no alvo, acerta metros de distância e está ok. A gente quer sempre o melhor mas nem sempre o nosso melhor é possível (ou até mesmo a melhor opção), e está ok.

A gente quer trabalhar, se divertir, cuidar do filho, ser companheira do marido, cuidar da saúde, tudo isso junto, e se algo não saiu nos conformes durante o dia ou a semana? Está ok. Estou aqui escrevendo enquanto meu filho está vendo televisão. É o ideal para meu perfil perfeito de maternidade que ainda teima em viver na minha cabeça (mesmo que seja num cantinho)? Não. Nem um pouco. E o que? Sim, você acertou. Está ok.

O meu desejo é que as mães possam se amar também. Esse negócio que mãe precisa se anular completamente é muito complicado. Um dia nossos filhos vão crescer e vão voar. E nós precisamos estar confortáveis em nossa própria pele. Precisamos nos ter por completo. Eles são praticamente tudo para a gente, mas antes desse quase tudo, existe você.

Obs: mãe, te amo!

 

 

A boazinha

Ah, mas ela é tão boazinha…
Escuta calada e
Fica sozinha em seus pensamentos.

Mas é tão boazinha
Não dá trabalho nenhum
Aceita de bom grado
Aquilo que nem sempre concorda.

A Boazinha,
Que menina de ouro!
Nunca levantou a voz
Nunca contestou nada
Ela entende as coisas
A Boazinha.

Mas… preste atenção na Boazinha
Porque nem sempre ela é notada.
Está calada, conformada
Aceitou ser Boazinha.

A Boazinha notou que sendo boazinha
Nunca teria conflitos ou brigas
Sentiu-se aliviada
Talvez seja bom ser boazinha – acreditou.

Um dia a Boazinha
Abre as janelas do seu quarto
E percebe o mundo em que ela vive.

Ao pisar nesse mundo sentiu o peso
De todos os pés que estavam encima dela.

O mundo não foi feito para a Boazinha.

Queria gritar mas não tinha voz
Queria brigar mas não tinha força
Queria fugir mas não sabia para onde ir.

Como seria sua vida se ela fosse diferente?

Se tivesse voz
Se tivesse forças
Se soubesse como brigar
Se acreditasse nela
E em tudo que ela é capaz.

Mas…
Mas ela é tão boazinha…
Acaba ficando sozinha em seus pensamentos.

Quantas vezes

Hoje me peguei pensando em quantas vezes comecei algo e não terminei. Seria isso um defeito? Lembro das aulas de balé, de volley, de tênis, de jazz, lembro da natação.

Lembro  nitidamente, que ao contar sobre uma nova ideia para um livro, uma amiga minha que tinha, sério, no máximo 11 anos me disse: “O problema Ju, é que você começa várias coisas e não termina nada…”. Ai! Já se foram 25 anos e essas palavras ainda são bem doloridas, e talvez proféticas.

Me lembro das aulas de piano, como somente estudava o que eu queria, até que depois de alguns anos a minha amada professora resolveu somente me ensinar as músicas do Ernesto Nazareth. (paixão eterna)

Ainda assim. Parei de tocar piano.

Sem falar das milhares de dietas começadas e terminadas e das aulas de dança do ventre.

Começar e ir até o fim. Admiro quem consegue. Consegui tal proeza com a faculdade; me formei certinho e até hoje sonho que está faltando alguma matéria! Isso quando também sonho que de repente alguém descobre que na verdade eu nem terminei o ensino médio ainda.

Aprendi também que começar e não terminar nem sempre é algo ruim. Começando por filmes e livros que você não gosta logo nos primeiros minutos. Acho melhor desligar o filme e fechar o livro na hora. Às vezes aquela experiência está programada para ser desfrutada da melhor maneira em outro momento. Às vezes nós que não estamos preparados para aquilo. Então acredito em não terminar com glória – nesses casos.

Amizades. Também acredito que devemos amar e nos cercar de amizades que nos amam. Ninguém consegue nesse planeta ser querido por todo mundo. Ninguém é capaz de nutrir uma amizade verdadeira com dezenas de pessoas (se você consegue, me conta como!). Muitas vezes aquele tempo com aquele amigo é por um momento breve. Acho importante desfrutar, ser feliz e quando a hora chegar… a vida continua, o carinho fica, mas as coisas mudam e a amizade se transforma. Nesse caso você começa a amizade e ela simplesmente se esvai. Fica algo meio estranho e sem um fim. Não terminado. E está ok.

Talvez existam coisas que são melhores não terminadas.

Talvez fique a vontade, o desejo, a ânsia de voltar, de sentir, de querer, de fazer.

Eu entendi que talvez largar as coisas pela metade para mim seja uma forma de “já que não sou boa nisso, e pelo visto nunca vou ser, vou desistir”; assim, muita coisa boa é perdida por eu não aceitar ser mediana em algo. Com a experiência entendi que posso ser feliz aprendendo sobre alguma coisa pelo simples prazer, e não esperando o que aquilo vai me tornar, entende?

Por isso tem coisas que não podemos simplesmente parar.

Se te faz feliz, continue! Faça aos poucos, sem muitas exigências. Invista seu tempo naquilo que faz seu coração bater forte, mesmo que você não seja tão bom assim; e faça as pazes com o que você parou, com o inacabado, com as coisas sem fim. Elas passaram.

Elas também fazem parte de quem você é.

Respira

 

Talvez seja agora uma boa hora para parar e respirar

Respirar bem fundo,

como se todo o ar do mundo fosse entrar no meu peito.

Então o prenderia por alguns segundos antes de soltar,

e quando todo esse ar saísse,

ele levaria de mim todas as preocupações

e ansiedades

e medos

e angústias

Tudo sairia carregado de ar,

dançando como sementes de dente de leão

no sopro de vento.

 

Sobre lágrimas

As minhas lágrimas

não sei se me lavam

ou se me afogam.

 

Não sei se me matam

ou se me salvam.

 

Como são quentes

poderiam queimar meus olhos

e quando descem pela garganta

descem arranhando.

 

Porque esas lágrimas não passam

sem serem percebidas.

 

Não vão sem serem lembradas

Elas apenas são

meu escape ou a minha perdição.

14/03/2018