Criatividade SA: um livro que vai te surpreender.

Acredito que existem livros especiais para cada fase de nossas vidas.

Eles têm propósitos diferentes: ensinar, divertir, entreter.

Porém algumas vezes nos deparamos com um livro capaz de acender algo diferente dentro da gente.

O livro Criatividade S.A.: Superando as forças invisíveis que ficam no caminho da verdadeira inspiração escrito por Ed Catmull, cientista de computação gráfica e cofundador da Pixar, superou todas as minhas expectativas.

Sempre fui fan dos filmes da Pixar e achei que aprenderia um pouco sobre como a criatividade era trabalhada na empresa, porém o livro entrega muito mais do que isso.

Foram 25 páginas de notas, e enquanto as separo para colocar nesse post, penso que talvez terei que ler esse livro de novo.

O livro é uma mistura dos seguintes ingredientes:

  • A história de Ed Catmull, desde quando era uma criança que sonhava em ser animador na Disney, até se tornar presidente da animação da Disney décadas depois.
  • História da animação por computação gráfica e a história da Pixar, que lá no começo foi uma divisão da Lucasfilm, até quase ser vendida para a GM e a Philips, e depois ser comprada pelo Steve Jobs. (E depois adquirida pela Disney).
  • Ensinamentos sobre liderança e criatividade.

Cultura da Criatividade

O livro fala sobre a criação de uma Cultura da Criatividade e os esforços que foram e são necessários para que ela continue existindo apesar de todas as dificuldades.

Segundo Ed, existem muitos obstáculos à criatividade, mas também existem medidas ativas que podemos tomar para proteger o processo criativo.

Mas uma coisa estava clara: descobrir como construir uma cultura criativa sustentável – que levasse de fato, a sério, coisas, como honestidade, excelência, comunicação, originalidade e auto-avaliação, por mais que isso incomodasse – não era uma tarefa única. Era um trabalho de todos os dias, em tempo integral, que eu queria realizar.

Com o conceito que “ideias precisam ser desenvolvidas, porque não nascem prontas”, o autor acredita que o fracasso é um investimento no futuro, “porque se as pessoas tem medo de fracassar, não vão ser criativas, mas continuarão fazendo mais do mesmo, apostando nas coisas que já deram certo.”

O autor acredita que é necessário manter um nível mínimo de caos e medo.

“Franqueza, segurança, pesquisa, autoavaliação e proteger o novo são mecanismos que podemos usar para confrontar o desconhecido e manter no nível mínimo o caos e o medo. Esses conceitos não tornam nada necessariamente mais fácil, mas podem nos ajudar a revelar problemas ocultos e com isso possibilitar que os solucionemos.”

“Existe outra coisa que vale repetir aqui: liberar a criatividade exige que afrouxemos os controles, aceitemos riscos, confiemos nos colegas, limpemos o caminho para eles e prestemos atenção a qualquer coisa que crie medo. Fazer tudo isso não irá necessariamente tornar mais fácil o gerenciamento de uma cultura criativa. Mas a meta não é a facilidade, e sim a excelência.”

“Existe outra coisa que vale repetir aqui: liberar a criatividade exige que afrouxemos os controles, aceitemos riscos, confiemos nos colegas, limpemos o caminho para eles e prestemos atenção a qualquer coisa que crie medo. Fazer tudo isso não irá necessariamente tornar mais fácil o gerenciamento de uma cultura criativa. Mas a meta não é a facilidade, e sim a excelência.”

O feedback na Cultura da Criatividade

O livro traz ensinamentos e insights importantes sobre dar feedback e como ele é essencial para a Cultura da Criatividade.

A Pixar criou o Banco de Cérebros para dar feedbacks sinceros dos projetos da empresa, e para que essa iniciativa funcionasse, foi importante que os feedbacks fossem oferecidos “como aditivos, e não competitivos”.

Sobre o Banco de Cérebros, o autor afirma: “o Banco de Cérebros é composto por pessoas com uma profunda compreensão da narração de histórias e, normalmente, pessoas que passaram elas mesmas pelo processo. Embora os diretores recebam bem críticas de muitas fontes (na verdade, quando nossos filmes são projetados na empresa, todos os funcionários da Pixar são solicitados a enviar comentários), eles prezam em especial o feedback de colegas diretores e de contadores de histórias.”

O que é um bom feedback? Ed Catmull explica:

“Uma boa observação diz o que está errado, o que está faltando, o que não está claro e o que não faz sentido. Uma boa observação é feita em momento oportuno, e não tarde demais para corrigir o problema. Uma boa observação não faz exigências; ela nem precisa incluir uma proposta de correção, mas, caso o faça, a correção é oferecida somente para ilustrar uma solução em potencial, não para prescrever a resposta. Mas, acima de tudo, uma boa observação é específica. “Estou morrendo de tédio” não é uma boa observação.”

E como receber um feedback de uma maneira positiva?

“Esse princípio engana a maioria das pessoas, mas é crítico: você não é sua ideia e, caso se identifique demais com suas ideias, irá se ofender quando elas forem questionadas. Para montar um sistema de feedback saudável, você precisa remover da equação a dinâmica de poder – em outras palavras, deve ser capaz de focalizar o problema, e não a pessoa.”

“A franqueza não é cruel. Ela não destrói. Ao contrário, qualquer sistema de feedback bem- sucedido é baseado em empatia, na ideia de que estamos todos juntos nisto, que compreendemos sua dor porque já a sentimos.”

Bastidores da Pixar

Se você é fan da Pixar, com certeza vai se deliciar com muitos bastidores das criações dos filmes.

“E quando, na filmagem de Procurando Nemo, surgiu a necessidade de ele escapar do consultório de um dentista pulando numa pia, foi organizada uma ida ao sistema de tratamento de esgotos de San Francisco. (E assim os produtores do filme ficaram sabendo que é possível para um peixe ir de uma pia até o mar sem ser morto.)”

Ed fala sobre muitos processos de construção das histórias que são tão amadas por tantas pessoas, mas que lá no começo, quando eram apenas ideias, não eram tão boas assim:

“Os filmes da Pixar inicialmente não são bons e nosso trabalho é fazer com que sejam – que passem, como eu digo, “de lixo para não lixo”. Essa ideia – de que todos os filmes que hoje consideramos brilhantes foram terríveis uma vez – é difícil de entender para muitas pessoas.

Para o autor, “para surgir a grandeza, é preciso que haja fases nem tão grandiosas.”

“A originalidade é frágil. E em seus primeiros momentos em geral ela está longe de ser bonita. É por isso que chamo os primeiros esboços de nossos filmes de “bebês feios”. São versões em miniatura feias dos adultos que virão a ser. Eles são realmente feios: desajeitados e ainda não formados, vulneráveis e incompletos. Eles precisam ser nutridos – na forma de tempo e paciência para que cresçam.”

Proteja o futuro, não o passado.

E quando Toy Story 2 foi literalmente deletado?

“Você provavelmente pode prever o que virá: por acidente, alguém usou esse comando nos drives em que eram mantidos os arquivos de Toy Story 2. Não apenas alguns arquivos, mas todos os dados que compunham as imagens, de objetos a fundos de cenas, foram apagados do sistema. Primeiro, sumiu o chapéu de Woody. Depois, suas botas. Então ele desapareceu totalmente. Um a um, os outros personagens também começaram a desaparecer; Buzz, Mr. Potato Head, Hamm, Rex. Todas as sequências foram deletadas.”

Achei engraçado que Inside Out (Divertidamente) era chamado de The Untitled Pixar Movie That Takes You Inside the Mind [O filme sem título da Pixar que leva você para dentro da mente].

O livro traz bastidores da Pixar, tanto sobre negócios, quanto sobre o nascimento dos projetos, sobre relacionamento entre as diferentes pessoas que integram as equipes, entre muitas citações de outras pessoas importantes dentro da empresa.

Sobre criatividade

O livro é um prato cheio de insights sobre a criatividade.

Sobre como as mudanças são o motor da criatividade:

“Como mudanças são inevitáveis, a pergunta é: você age para detê-las e tenta proteger-se delas, ou torna-se o mestre das mudanças aceitando-as e sendo aberto a elas? É claro que, em minha opinião, trabalhar com mudanças é o significado de criatividade.

Sobre como devemos abrir mão do que estamos acostumados para encontrar o novo:

“Mas pense nisto: você nunca irá tropeçar no inesperado se ficar somente com o que é familiar.”

“Essa incerteza pode fazer com que nos sintamos desconfortáveis. Os seres humanos gostam de saber para onde vão, mas a criatividade exige que percorramos caminhos que levam a sabe-se lá onde. Isso requer que cheguemos à fronteira entre o conhecido e o desconhecido.”

Sobre o cuidado que devemos ter com ideias novas:

“Estou dizendo que, quando alguém tem uma ideia original, ela pode ser desajeitada e mal definida, mas também é o oposto daquilo que está estabelecido – e esse é precisamente seu aspecto mais estimulante. Se a ideia, nesse estado vulnerável, for exposta a pessoas negativistas, que não conseguem compreender seu potencial ou carecem de paciência para deixá-la evoluir, poderá ser destruída.”

Um Steve Jobs que poucos conheceram

É impossível falar sobre a história da Pixar sem falar sobre Steve Jobs.

“Ele (Steve Jobs) costumava dizer que os produtos da Apple, por mais brilhantes que fossem, acabariam todos em aterros sanitários. Os filmes da Pixar, por outro lado, viveriam para sempre. Como eu, ele acreditava que nossos filmes, pelo fato de buscarem verdades mais profundas, irão perdurar, e via beleza nessa ideia.”

“Os perfis de Steve descrevem-no inevitavelmente como obstinado e autoritário, um homem que se agarrou de forma firme e inabalável aos seus ideais, recusando-se a ceder ou mudar, e que com frequência tentava intimidar os outros para que fizessem as coisas à sua maneira. Embora muitos dos casos contados a seu respeito como jovem executivo provavelmente sejam verdadeiros, o retrato geral é muito diferente.”

É muito interessante ver como Ed retrata Steve Jobs, com certeza uma das partes mais emocionantes do livro. Eles trabalharam juntos por mais de 20 anos.

Apenas uma degustação de um livro incrível

Espero que esse post tenha incentivado você a ler esse livro maravilhoso!

Essas citações que escolhi para esse post são é uma parte mínima de ensinamentos cheios de experiências, histórias e com certeza muita animação! 😉

Publicado por Juliana Lins

Olá, meu nome é Juliana e amo escrever. Fico muito feliz com sua visita em meu blog! Abraço, Juliana

2 comentários em “Criatividade SA: um livro que vai te surpreender.

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