Talvez minha história não seja tão diferente assim.
Eu encontro minha história espalhada em muitos cadernos, agendas, diários, e até livros.
A minha vida é cercada por essas palavras.
Palavras jogadas no papel. Assim, meio que sem querer, querendo.
Como a gente vira uma escritora?
Uma coisa eu sei: não é de repente.
Mesmo que pareça, não é.
Se eu pudesse juntar todas minhas palavras, frases, parágrafos, espalhados por tantos lugares diferentes, eu acho que escreveria mais alguns livros.
Por enquanto somente tenho um.
Hoje eu espalhei alguns dos meus livros em cima da cama.
Eu tinha um chamado interno: espalhe seus livros em sua cama, espalhe, espalhe…
Como estou numa fase de pouca inspiração, resolvi atender a esse chamado.
Espalhei os livros em cima da cama, tirei uma foto, achei lindo.
Meu marido passou, olhou e ficou sem entender.
É assim, uma voz estranha fala algo em sua cabeça, talvez seja a voz da Criatividade.
No meio dos livros, estava meu livro: Não mais que de repente.
Peguei, olhei para ele, passei as folhas. Eu escrevi um livro.
Sou escritora então?
Quero acreditar que sim.
Então por que não escrevo sempre?
É uma fase?
Onde estão os outros livros?
Vou conseguir de novo?
Essas não são perguntas da Criatividade, mas daquela outra conhecida de muita gente: a Ansiedade.
Sou ansiosa, e bem sei que hoje em dia quase todo mundo é.
Me sinto acolhida e triste ao mesmo tempo. Desculpa, não queria que você fosse ansiosa também.
Agora estou escrevendo aqui porque fui buscar uma encomenda (papelaria, claro), e fiquei com isso na cabeça.
Sua vida são suas palavras, ela está escrita ali.
Segue a minha conclusão:
Escrevo então todos os dias, vivendo, sentindo, amando.
Com raiva, pressa, feliz, com medo.
Esperançosa.
Querendo mais, ao mesmo tempo que me sinto na maior parte do tempo feliz.
Realizada, talvez?
Ainda acho “realizada” uma palavra muito forte.
Parece que se a gente diz ser realizada, vai aparecer um THE END no filme da vida.
Tipo, pronto. Já está realizada. Não tem mais nada de novo por aqui.
Por isso acho que talvez seja melhor dizer “agradecida”.
É engraçado como a gente quer se sentir único e especial ao mesmo tempo que queremos também nos sentir no abraço de “todos somos iguais, temos os mesmos medos.”
Talvez não exatamente os mesmos.
Somos especiais e iguais ao mesmo tempo. Que loucura.
Talvez minha história não seja tão diferente assim.
Continue espalhando palavras!!!
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Obrigada Luuuuu! =))))))
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