Ando pensando sobre como me relaciono com as pessoas que sigo nas redes sociais.
Principalmente porque tenho a facilidade de me apegar com pessoas que não sabem nem que eu existo.
Explico aqui.
Acho que deve ser comum a gente se identificar com alguém nas redes: princípios, valores, senso de humor.
Aí começamos a acompanhar a vida da pessoa.
Antes o acesso ao outro era bem mais difícil.
Hoje (se a pessoa permitir) conhecemos muito sobre a família, os hábitos, a história.
O que a pessoa gosta ou não.
Estamos dentro de sua casa, em sua sala e no seu quarto.
Acompanhamos o crescimento dos seus filhos e seus relacionamentos.
Estamos dentro de seu carro indo ao trabalho, estamos em suas férias.
Sabemos que é um recorte, uma pequena partícula de vida dividida.
Também sabemos que muitas vezes nem tudo é o que parece ser.
O quanto vemos da vida do outro é real?
Mas ao mesmo tempo parece que conhecemos aquela pessoa de verdade.
Afinal, sabemos muito sobre ela e de vez em quando nossa influencer preferida responde nosso direct.
É como aquelas paixões platônicas da adolescência, que a gente namorava uma pessoa e ela nem sabia.
Que fique bem claro: nada contra admirar as pessoas online, torcer pelo sucesso, acompanhar o trabalho e a vida.
O problema é quando esses “relacionamentos de uma via só” tomam o nosso tempo e nossas energias.
Esses relacionamentos com influencers são de uma via só porque um relacionamento de verdade precisa de reciprocidade.
Nos relacionamos com as pessoas que seguimos online, mas o que elas sabem sobre nós?
E quantas vezes elas recebem mais a nossa atenção do que as pessoas de carne e osso que estão bem ao nosso lado?
Lembrando que nossa atenção, curtidas e comentários são moeda, são o motor que mantém a máquina das redes funcionando.
Certo dia eu sonhei com uma influencer que eu gostava muito.
Fiquei muito encucada: essa pessoa entrou no meu subconsciente, uma pessoa que nem me conhece, e eu tenho apenas a impressão de conhecer.
A minha conclusão com isso tudo é que devemos ser cautelosos com o tamanho que esses “relacionamentos” tem em nossas vidas.
- Quantas coisas acabamos comprando depois de uma propaganda velada?
- Quantas viagens queremos fazer depois de uma viagem 100% patrocinada?
- Quanto tempo de nossas vidas oferecido a alguém que não sabe o que te deixa triste ou feliz?
A pergunta é : onde estão essas pessoas? As que realmente conhecem você?
Muitas vezes elas também estão online.
Essa é uma questão de prioridade, de reconhecer quem realmente está do nosso lado, certo?
Vou continuar seguindo as influencers que gosto, porém com a consciência que ali não existe um relacionamento verdadeiro.
Existem muitas pessoas fazendo coisas muito legais na internet, e podemos usufruir disso de uma forma saudável.
E vamos valorizar mais os relacionamentos que também nos preenchem!
Um comentário em “Vira e mexe internet: influencers.”