Olá 40 anos.

Amanhã eu faço 40 anos.

Sim, os quarentão.

Pensei em contar um pouco sobre mim e sobre a minha história.

Na verdade estou contando a minha história desde que eu aprendi a escrever.

Entro nos 40 sem usar conjuntinho.

Usando papete da Melissa.

E com duas calças jeans.

Entro nos 40 um tanto quanto diferente de como entrei nos 30.

Será que esse será um texto comparativo com a entrada nos 30? Não sei se quero esse texto assim.

Continuando.

Sou 60% pessimista.

Acho que dormir é a melhor coisa do mundo.

Gosto de assistir seriados de temas variados, mas no momento não consigo me apegar a nenhum.

Começo a ler uns 3 livros ao mesmo tempo.

Sou escritora porque escrevo.

Vendo muitos livros? Não.

Mas a minha identidade como escritora não depende mais disso.

Então entro nos 40 como a escritora que sempre quis ser.

Trabalho com marketing.

Saí de um emprego que as funções combinavam certinho com minha falta de identidade da época.

Não sabia o que fazia direito, não sabia o que era, não tinha o senso de carreira, de crescimento.

No meio dos 30, ali com 36, 37 anos, no buraco do desemprego, eu preguei o crachá do marketing no peito.

Estudei tanto, mas tanto.

Procurei tanto, mas tanto.

Que encontrei:

Iria trabalhar escrevendo histórias.

E o trabalho acabou me encontrando também, numa mensagem do LinkedIn.

Eu descobri que posso aprender e ser coisas tão diferentes, e agora chegando aos 40, se a natureza assim permitir: estou somente começando.

Sempre fui muito medrosa.

Era medo de tudo.

Hoje continuo tendo medos,

Mas não sou mais medrosa.

Eu vou com medo mesmo.

Infelizmente perdi um pouco da minha doçura inocente, mas prefiro assim. A vida não permite que sejamos inocentes como crianças, e doces 100% do tempo com tudo e todos.

Eu aprendi que é necessário peitar uma dose de desconforto. É necessário ser amarga e salgada também. Doçura demais coloca a gente em cada enrascada.

Chego nos 40 confiando em poucas pessoas. Posso contá-las com os dedos das duas mãos.

Poucos e bons – esse é um lema que vou carregar para o resto da vida.

Poucos e bons de tudo que existe.

40 anos, que loucura.

Ontem mesmo entrei na faculdade,

Ontem mesmo terminei o terceirão,

Onde mesmo estudei orações subordinadas substantivas em plenas férias de verão.

Ontem mesmo fui mãe,

Ontem mesmo casei,

Ontem mesmo chamei meu futuro marido para conversar no messenger, e nunca mais paramos de conversar.

Ontem mesmo escrevi meus primeiros poemas.

Ontem mesmo lancei meu primeiro romance.

Ontem mesmo fui despedaçada,

Ontem mesmo acreditei que nunca seria boa o bastante.

Ontem mesmo perdi muito.

Ontem mesmo eu renasci,

E me levantei,

E me levantaram,

E o amor de poucos e bons me fez sorrir.

Ontem mesmo eu cheguei no mundo,

E hoje talvez esteja chegando na metade.

Ontem mesmo tantas coisas né?

Hoje eu consigo amar todas as minhas versões passadas, mas continuo dizendo:

Minha melhor fase é a adulta.

Lógico que voltaria feliz da vida para a escola se precisasse.

Mas ter a minha própria família é maior e melhor do que todas as outras felicidades.

Nenhuma lembrança da infância e adolescência e juventude se compara com a alegria que tenho em minha própria casa, com meu marido, meu filho e meu cachorro.

E minhas dezenas de cadernos.

E meus livros que ainda vou escrever.

Por isso acredito que entro nos 40 quase 50% otimista.

E 100% feliz.🧡

Publicado por Juliana Lins

Olá, meu nome é Juliana e amo escrever. Fico muito feliz com sua visita em meu blog! Abraço, Juliana

4 comentários em “Olá 40 anos.

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