Quantas vezes

Hoje me peguei pensando em quantas vezes comecei algo e não terminei. Seria isso um defeito? Lembro das aulas de balé, de volley, de tênis, de jazz, lembro da natação.

Lembro  nitidamente, que ao contar sobre uma nova ideia para um livro, uma amiga minha que tinha, sério, no máximo 11 anos me disse: “O problema Ju, é que você começa várias coisas e não termina nada…”. Ai! Já se foram 25 anos e essas palavras ainda são bem doloridas, e talvez proféticas.

Me lembro das aulas de piano, como somente estudava o que eu queria, até que depois de alguns anos a minha amada professora resolveu somente me ensinar as músicas do Ernesto Nazareth. (paixão eterna)

Ainda assim. Parei de tocar piano.

Sem falar das milhares de dietas começadas e terminadas e das aulas de dança do ventre.

Começar e ir até o fim. Admiro quem consegue. Consegui tal proeza com a faculdade; me formei certinho e até hoje sonho que está faltando alguma matéria! Isso quando também sonho que de repente alguém descobre que na verdade eu nem terminei o ensino médio ainda.

Aprendi também que começar e não terminar nem sempre é algo ruim. Começando por filmes e livros que você não gosta logo nos primeiros minutos. Acho melhor desligar o filme e fechar o livro na hora. Às vezes aquela experiência está programada para ser desfrutada da melhor maneira em outro momento. Às vezes nós que não estamos preparados para aquilo. Então acredito em não terminar com glória – nesses casos.

Amizades. Também acredito que devemos amar e nos cercar de amizades que nos amam. Ninguém consegue nesse planeta ser querido por todo mundo. Ninguém é capaz de nutrir uma amizade verdadeira com dezenas de pessoas (se você consegue, me conta como!). Muitas vezes aquele tempo com aquele amigo é por um momento breve. Acho importante desfrutar, ser feliz e quando a hora chegar… a vida continua, o carinho fica, mas as coisas mudam e a amizade se transforma. Nesse caso você começa a amizade e ela simplesmente se esvai. Fica algo meio estranho e sem um fim. Não terminado. E está ok.

Talvez existam coisas que são melhores não terminadas.

Talvez fique a vontade, o desejo, a ânsia de voltar, de sentir, de querer, de fazer.

Eu entendi que talvez largar as coisas pela metade para mim seja uma forma de “já que não sou boa nisso, e pelo visto nunca vou ser, vou desistir”; assim, muita coisa boa é perdida por eu não aceitar ser mediana em algo. Com a experiência entendi que posso ser feliz aprendendo sobre alguma coisa pelo simples prazer, e não esperando o que aquilo vai me tornar, entende?

Por isso tem coisas que não podemos simplesmente parar.

Se te faz feliz, continue! Faça aos poucos, sem muitas exigências. Invista seu tempo naquilo que faz seu coração bater forte, mesmo que você não seja tão bom assim; e faça as pazes com o que você parou, com o inacabado, com as coisas sem fim. Elas passaram.

Elas também fazem parte de quem você é.

Publicado por JulianaRuiz

Olá, meu nome é Juliana e amo escrever. Já aprendi que escrever para mim não é uma escolha, mas sim aquilo que me define e me faz feliz... então estou aqui! Ficarei feliz com sua visita em meu blog! Abraço, Juliana

2 comentários em “Quantas vezes

  1. Claro que você termina o que começa… as vezes os projetos não são a prioridade e por esse motivo deixamos de lado. Creia que, em algum momento o que tiver de ser continuado será, e você irá até o final. Amei o post!!

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